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8.17.2013

E assim disse.

Sou buquê de flores num buraco negro                        Sou piegas preso num antiquário
Sou a anarquia burlesca, o canto desvairado
Sou o peito cheio na praça vazia

Sou o gato, o gatuno, o gatilho
Sou o calar da noite num sussurro vazio
Sou o macabro desejo de profanar
Esse mundo de Deus, a Deus dará

Sou impala, poesia marginal
Sou  nonsense, o artista circense
Sou o cansaço da longa viagem
Sou extensão ínfima da natureza

No empilhado das coisas vida
Amor, que é isto? Pedra fundamental?
No resultante do que sou
Sou tudo menos tudo, sou zero.

8.13.2013

Eu não sou um beatle.

Eu não sou um beatle
Eu não sou um beatle
Escute só o que eu repito
Eu não sou um beatle

Eu reparei só hoje cedo
Quando sem querer eu me olhei no espelho
E descobri
Que eu...não sou...um beatle

Quão grande foi a minha decepção
Quase caiu do peito o meu pobre coração

I'm not a beatle
My arms are not of a beatle's arms
My legs are not of a beatle's legs
My heart are not of a beatle's heart
No girl wanna hold my hand
And I can't sing yeah, yeah, yeah

Eu não sou um beatle
Não sou fenômeno midiático
Pudera, sou um lunático
Sou qualquer coisa, mas eu...
Eu só não sou um beatle

Eu não sou um beatle
Não sou Lennon, nem Macca
Não sou Starr, nem sou estrela
Não sou Harrison e nem sou Clooney
Se hoje mesmo eu morresse
Eu morreria sabendo
E pereceria dizendo
Que eu não sou um beatle.

Prólogo.

Fernando disse a uma pessoa
Algumas horas antes da última das mortes
Daqui 59 anos nascerá a minha prole
Um gajo brasileiro, de nome bíblico
Quem viver testemunhará tal fato.

Não sabeis?
Quem usa bigode é homem
Mulher usa coroa.

Infortúnios cotidianos.

Palpito em silêncio sobre o que se passa
Na cabeça desses seres andantes a minha volta
                                                           [Pensantes?
Sou sim um paranoico cheio de dúvidas
E sentimentos tão supérfluos no peito
A quererem saltar para o inferno da realidade

Escuto discussões acidentalmente, desnecessárias
Obsoletos são os diálogos em meio a multidão
A redundância desgasta o meu cérebro
Não consigo fazer mais nenhuma prece
Irá a nós o firmamento engolir finalmente?

Instiga-me tanto essa igualdade em todos
De agirem, mentirem e caminharem calados
Por uma linha, para um objetivo tão pequeno
Para a morte, atraídos pelo movimento retilíneo
De suas vidas uniformemente conformadas

Escuto uma canção que soa como um escárnio
Decadente melancolia, é tão frustrante!
Crianças choram ao cair da noite
Desilusões metropolitanas tão surrealistas
Sonhos dilacerados, destinos amaldiçoados

Dorme a cidade, dorme também a vaidade
O barulho se vai e posso descansar meus devaneios
Apesar do desejo de ficar sempre acordado
Pelas ruas, a clandestinidade mantém a noite viva
E amanhã tudo será enfadonhamente igual.

9.10.2011

Recortes de poemas.

Bebo uma xícara mais desse veneno
Debruço-me em meu mundo pequeno
Todo o controle que eu achei que tinha
De mim partiu sem avisos
As curvas que irão se contrapor
Ou não, se não, ainda assim
Insiste em permanecer livre
Esse meu náufrago sentimento

Imerso, lá estava eu
Com um nó no coração
Preso aquele detalhe minimalista
Atado naquela insegurança
Com um olhar fixo
Eu quase engasguei na vontade
Se passará, antes de findar saberei

Meio amargo esse mel
Com gosto de saudade
Nuvens cinza num tom pastel
Carregadas com meu rancor
Porque irá passar
Todo esse pequeno deslize
De um todo irônico
Ofuscando-nos com vigor

8.25.2011

Mantenha a Calma.

Declaro ao mundo
Que de certo me agrada
Tudo aquilo que for sutil
E só digo por dizer, que o explícito
Me causa repúdio, por razões eloquentes
Que são mais profundas que o próprio repúdio

Fato é que, é enfadonho
O efusivo, que por si só
É desnecessário e dá um nó
Na consciência daqueles que o rejeitam
Talvez por consciência
Da perca brutal de naturalidade
E de essência, por fatalidade

Sinto-me bem, portanto
Por e em tudo aquilo
Que se segue e se desenvolve
Ausente de displicência
Que surge com volúvel iminência
Como um afago sincero
Ou qualquer palavra dita com esmero
Abranda e traz conforto
Com sutilidade, adorável sutilidade.

7.08.2011

Ao contínuo teatro do cotidiano.

Lá fora, essas vidas
São apenas vozes
Vozes que lamentam
Sua ociosa existência
Implicam em minha mente
Que observo, descrente
Dente rangendo no dente
Devo mesmo ser demente

Risos e sorrisos
Em lares frios, corações frios
Uma grande irrelevância
Diante de tanta semelhança
Como que em meio artístico
Uma comédia, ao olho vivo
Tal aquele que enaltece
A mórbida apresentação

Sol que bate, resplandece
Por um instante, quase acredito
O que era riso, agora é grito
É cena, é deboche
Do palhaço, do fantoche
Que envelhece, vive
Ou não vive, mas sorri
Ou grita, ou se exalta.

6.26.2011

Meu bem, de agora até sei lá quando, será tão fácil. Eu te amo, é só, não creio que isso vá mudar. Somos amigos, sim, somos, ou não? Sei lá o que somos. Você é única, certamente e devo dizer, eterna. Embora isso me deixe deveras triste, eu sei que vou ficar bem. Afinal, você ainda está comigo, eu sei, não literalmente, que droga, mas enfim, está. Obrigado por estancar algumas lágrimas e desencadear outras tantas, mas essas, essas sim, eu chorei com muito prazer. Fronteiras e mais fronteiras me separam daquela que eu inexoravelmente amei, perdoe o erro, ainda amo. Não se surpreenda se essa vida tão irônica nos colocar diante um do outro. Porque você partiu coração e mesmo assim eu o daria de volta.

6.17.2011

Clock.

Pássaros cantam desafinados
Uma canção pra relembrar
Dos diamantes que em seus olhos
Escondem toda a riqueza
Desejo maior não há
Que o meu de te encontrar
Linda, aos meus olhos
Mais que você não haverá
Se meu amor fosse um relógio
Você seria o meio-dia

Seu amor desliza sobre mim
Assim como as nuvem deslizam sobre o céu
A saudade me distrai
Minha memória incessante
Teima em seus traços recordar
Aprecio essa paisagem torta
Enquanto me perco silenciosamente
Em seu sorriso que é meu mar
Se meu amor fosse um relógio
Você seria a meia-noite

Flerto a lua tão brilhante
Tão longe a me inspirar
Longe também está você
Linda até mais que o luar
Guardo suas palavras
Como tesouro no fundo do mar
Teu amor que me preenche
Me eleva a desdenhar
O mundo que fica a me importunar
Então somente fico
Sonhando fico a te ansiar
Se meu amor fosse um relógio
Você seria todas as horas.