10.06.2013

Quando você nasce em uma cidade pequena
Tudo que você quer é conhecer o resto do mundo
Mas, quando você nasce em uma grande cidade
Você deseja poder viver numa casa de campo
Porque nós nunca estamos satisfeitos

Quando você está preso nas engrenagens da máquina
Beijando todos esses cadáveres
Você se sente como um desgraçado?
Ou você põe a culpa nas circunstâncias?

Todos estão indo a igrejas agora
E praticando todo aquele ritual
Eles dizem que a fé não costuma falhar
Mas a fé sempre falha, quando não passa de um costume

E você olha para o seu destino com medo
E vê que toda esta merda está só no começo
Porque todo mundo aqui sabe que não faria diferença
Se você estivesse morto agora mesmo
E seus filhos estivessem praguejando contra a má sorte
Mas eu acho que todos aqui já entenderam
Que essa situação toda não tem nada a ver com a sorte

Você se pergunta, é assim que a vida deve ser?
E eles se perguntam, aonde diabos ele pensa que vai?
E eu te pergunto, você se sente realmente vivo
Ou está apenas correndo?

9.23.2013

Qualquer coisa.

Eu culpo a vida pela culpa que eu sinto e logo desculpo-a,
pois sei que é mentira, não consigo mentir, nem ocultar.
Abraço-a, machuco-a, beijo-a, amaldiçoo-a.
Ela sempre me ouve, mesmo quando grito por meios sôfregos, 
calo querendo enganá-la, atiro pedras nas vidraças da semi-consciência.

Arrasto-me até um pedaço de papel onde escrevo coisas que ninguém
nunca lerá, exceto pela terra, que passado todo o tempo
ainda será terra, ninguém pode declarar guerra a terra.
Perdi a culpa, não sei onde, se soubesse, nem assim voltaria.

Megalomania enrustida no hemisfério hipertrófico
da cabeça nauseada, até o vazio do vácuo no meio do nada
inspira um louco suscetível, um sensível, um maníaco.
A morte por detrás dos olhos, a desvontade de morrer,
o tempo é coerente em tudo, a vida é inerente na maioria das coisas.

Veraneios vintage sonhados numa câmara sintetizadora hi-tech.
Seu corpo é um disparate, sua espinha é torta, seu olhar caído,
cabelos anárquicos, pernas ziguezagueantes,
da cintura pra baixo, lugar-comum , amnésia, é silêncio mortal.

Morte aos princípios, recomeçar no meio do caminho,
cortar os pés em cacos de vidro, sangue refletido, 
fazendo o vidro se sentir culpado e esconjurar quem
o jogou ali, ao chão, quebrado, no meio do caminho,
cortando pés alheios, lambuzando-se no sangue derramado.

Não consigo distinguir pecado de prazer ou de instinto.
Vida agourenta, vida de agora, mãos a obra, 
morte elementar, morte de cada dia, ressurreição, homem fajuto,
dia após noite, minha sina é essa antropomorfia de mim mesmo

9.16.2013

Os demônios que um dia habitaram minha alma
Demônios já não são mais
São agora como animais de estimação
A confusão que domina o meu ser
Ganha novas cores e perspectivas

No que isso resulta é que eu não sei
No que isso resulta, quero saber?
No que isso insulta, é que me ocorre prazer
No fim, o perdedor descobre
Que perdeu tempo, achando que tinha perdido

Tu crê no que o teu olho vê?
Ou tu se vê no seu próprio olho?
E o que isto quer dizer?
Percebe que viver
É muito mais do que acreditar
Ou desacreditar?

9.08.2013


Entre o progresso e a decadência, entre o processo e a eficiência, entre a essência e a indecência, entre ruas e becos, entre favelas e vielas, entre o mar revolto e a revolta, entre a marcha ré e a contramão, entre a mão erguida e a decepada, entre a propaganda e a cilada, há sempre gente morrendo sem viver, se matando pra viver, vivendo pra não morrer, se matando aos poucos, se morrendo aos montes, morrendo enfim, como se isso fosse salvação, não quero acreditar que é.

8.28.2013

Eu não tenho todo esse tempo, afinal.

Nós temos tempo, calma lá rapaz
Todo esse tempo, o quê que tu quer mais?
Nem em todo esse tempo, será tu capaz?
Não é tempo o bastante pra tu ficar em paz?
Não é tempo de sobra? Ou será que tu jamais?
Tu que nem pensaria nisso há um tempo atrás
Agora espera, espera, espera até demais

A cada segundo que passa
Nada passa, além do segundo
Até quando?


8.26.2013

Revolução.

Revólver na mão
Reaver a nação?
Rever a solução?
                [Ra-tá-tá, na multidão.

8.25.2013

E é tão bom abrir os olhos, mas, abrir os olhos sem abrir o coração é bem como abrir a porta que vai dar num precipício.

8.20.2013

Mundos muito mais que distantes.

Esta miséria secular não me faz perder o sono
Ao mundo pertenço, sou nele um gnomo
Perdido no labirinto de desalento e desleixo
Sou também desleixado, pra falar sou suspeito
Procuro saída, mas haverá saída? Saída pra onde?
E se houver, quem ousaria saltar pra fora do mundo?

Que queres do mundo homem?
Que lhe faça cafunés?
Que lhe beije os pés?
Que lhe sirva acarajés?
Nada disto terá, terá se muito o mar
Um emprego razoável, uma vida razoável

O mundo cabe em ti homem, cabe a ti
Cabe a tua mulher, cabe a teus filhos
Teu mundo é tua mulher, teu mundo são teus filhos
Os filhos são o mundo que você colocou no mundo
O mundo são flores murchas
E as flores não deixam de existir só por estarem murchas.
O miolo
A linha que divide
50/50
O ponto que se situa no meio
E no meio pertence
Metamorfose completa?

Entre o bem e o mal
Existe o senso de humanidade
Entre o céu e o inferno
Um lugar para os de mente livre
E os loucos de coração
Os cosmopolitas e visionários

Entre a lembrança e o futuro
Uma textura não lavrada
Entre o cão e gato
O instinto de brincar
Entre a folha seca e o chão
inexorável queda

Entre a obscenidade e a pureza
Existe o amor
Entre a morbidez e o efêmero
Existe a dose certa
Entre um verso e outro
Existe um interlúdio que ecoa.

8.18.2013

E.A.D.M.

Quando será que vou passar dessa fase de passar de fase? Já sou o que sou ou ainda existem partes de mim perdidas em algum lugar do espaço-tempo? Sou aquilo que quero ser ou quero ser algo que não sou? Essa personalidade é algo que sempre esteve comigo e jamais se alterou ou é uma variante que pode mudar a qualquer instante? O ideal é ter uma opinião formada sobre tudo ou viver em plena metamorfose é mais cabível? Se isso é um sonho, parece real, mas se isso é real, tem um caráter surreal. Não sei quantos discos mais terei que ouvir, quantos livros mais terei que ler, para me tornar, veja só, um indivíduo globalizado, cosmopolita e de características bem definidas. De quantas crises existenciais um cidadão moderno precisa pra finalmente se situar no mundo? Afinal, é tudo uma questão de aceitação, enquanto alguns vivem para serem aceitos em um determinado grupo, existem os libertinos que tentam aceitar a si mesmos, no ímpeto do seu espírito devastador. O que digo é que se cometo um crime hoje, amanhã acusem outro, o eu de amanhã jamais o cometeria, eu poderia estar orando pelo dia de amanhã agora mesmo e acordar amanhã sem o menor saco pra Deus. Algumas pessoas não conseguem aceitar a mudança, eu fico feliz por tê-la comigo quase sempre, falo da minha é claro, ora pois, aceitar a mudança alheia é muito mais difícil, ter que redecorar informações do banco de dados em nossa cabeças, com novas informações sobre uma ou outra pessoa, é chato, pra falar a verdade. Não é nada fácil manter a mente livre de preconceitos ou estigmas. Nada incomum, nós sempre apontamos o erro dos outros na primeira oportunidade, parece bobagem, até banal às vezes, uma bobagem necessária, autoafirmação às vezes exige isso, mas não creio que seja fraqueza, bom senso parece mais adequado. Mas se é pra ser sincero, tem que começar por si mesmo, narcisismo é diferente de falar a verdade, se alguém decifra tão bem os defeitos alheios, este deve se sentir o mais defeituoso dos seres, por conhecer tão profundamente do assunto. Mas será que ter defeitos é algo ruim? Realmente não acho, é o que dizem, defeitos são o ponto de partida pra melhora, ou em um caso específico de loucura pode ser apenas uma qualidade desmistificada. Pois é, minha cara consciência, fique feliz por ainda ser respeitada mesmo diante de tantas mudanças dentro desse mundo cada vez mais esquizofrênico e dentro da minha, digo, nossa mente em seu estado humano, por natureza e excelência, doente.