8.28.2013

Eu não tenho todo esse tempo, afinal.

Nós temos tempo, calma lá rapaz
Todo esse tempo, o quê que tu quer mais?
Nem em todo esse tempo, será tu capaz?
Não é tempo o bastante pra tu ficar em paz?
Não é tempo de sobra? Ou será que tu jamais?
Tu que nem pensaria nisso há um tempo atrás
Agora espera, espera, espera até demais

A cada segundo que passa
Nada passa, além do segundo
Até quando?


8.26.2013

Revolução.

Revólver na mão
Reaver a nação?
Rever a solução?
                [Ra-tá-tá, na multidão.

8.25.2013

E é tão bom abrir os olhos, mas, abrir os olhos sem abrir o coração é bem como abrir a porta que vai dar num precipício.

8.20.2013

Mundos muito mais que distantes.

Esta miséria secular não me faz perder o sono
Ao mundo pertenço, sou nele um gnomo
Perdido no labirinto de desalento e desleixo
Sou também desleixado, pra falar sou suspeito
Procuro saída, mas haverá saída? Saída pra onde?
E se houver, quem ousaria saltar pra fora do mundo?

Que queres do mundo homem?
Que lhe faça cafunés?
Que lhe beije os pés?
Que lhe sirva acarajés?
Nada disto terá, terá se muito o mar
Um emprego razoável, uma vida razoável

O mundo cabe em ti homem, cabe a ti
Cabe a tua mulher, cabe a teus filhos
Teu mundo é tua mulher, teu mundo são teus filhos
Os filhos são o mundo que você colocou no mundo
O mundo são flores murchas
E as flores não deixam de existir só por estarem murchas.
O miolo
A linha que divide
50/50
O ponto que se situa no meio
E no meio pertence
Metamorfose completa?

Entre o bem e o mal
Existe o senso de humanidade
Entre o céu e o inferno
Um lugar para os de mente livre
E os loucos de coração
Os cosmopolitas e visionários

Entre a lembrança e o futuro
Uma textura não lavrada
Entre o cão e gato
O instinto de brincar
Entre a folha seca e o chão
inexorável queda

Entre a obscenidade e a pureza
Existe o amor
Entre a morbidez e o efêmero
Existe a dose certa
Entre um verso e outro
Existe um interlúdio que ecoa.

8.18.2013

E.A.D.M.

Quando será que vou passar dessa fase de passar de fase? Já sou o que sou ou ainda existem partes de mim perdidas em algum lugar do espaço-tempo? Sou aquilo que quero ser ou quero ser algo que não sou? Essa personalidade é algo que sempre esteve comigo e jamais se alterou ou é uma variante que pode mudar a qualquer instante? O ideal é ter uma opinião formada sobre tudo ou viver em plena metamorfose é mais cabível? Se isso é um sonho, parece real, mas se isso é real, tem um caráter surreal. Não sei quantos discos mais terei que ouvir, quantos livros mais terei que ler, para me tornar, veja só, um indivíduo globalizado, cosmopolita e de características bem definidas. De quantas crises existenciais um cidadão moderno precisa pra finalmente se situar no mundo? Afinal, é tudo uma questão de aceitação, enquanto alguns vivem para serem aceitos em um determinado grupo, existem os libertinos que tentam aceitar a si mesmos, no ímpeto do seu espírito devastador. O que digo é que se cometo um crime hoje, amanhã acusem outro, o eu de amanhã jamais o cometeria, eu poderia estar orando pelo dia de amanhã agora mesmo e acordar amanhã sem o menor saco pra Deus. Algumas pessoas não conseguem aceitar a mudança, eu fico feliz por tê-la comigo quase sempre, falo da minha é claro, ora pois, aceitar a mudança alheia é muito mais difícil, ter que redecorar informações do banco de dados em nossa cabeças, com novas informações sobre uma ou outra pessoa, é chato, pra falar a verdade. Não é nada fácil manter a mente livre de preconceitos ou estigmas. Nada incomum, nós sempre apontamos o erro dos outros na primeira oportunidade, parece bobagem, até banal às vezes, uma bobagem necessária, autoafirmação às vezes exige isso, mas não creio que seja fraqueza, bom senso parece mais adequado. Mas se é pra ser sincero, tem que começar por si mesmo, narcisismo é diferente de falar a verdade, se alguém decifra tão bem os defeitos alheios, este deve se sentir o mais defeituoso dos seres, por conhecer tão profundamente do assunto. Mas será que ter defeitos é algo ruim? Realmente não acho, é o que dizem, defeitos são o ponto de partida pra melhora, ou em um caso específico de loucura pode ser apenas uma qualidade desmistificada. Pois é, minha cara consciência, fique feliz por ainda ser respeitada mesmo diante de tantas mudanças dentro desse mundo cada vez mais esquizofrênico e dentro da minha, digo, nossa mente em seu estado humano, por natureza e excelência, doente.

8.17.2013

E assim disse.

Sou buquê de flores num buraco negro                                  
Sou piegas preso num antiquário
Sou a anarquia burlesca, o canto desvairado
Sou o peito cheio na praça vazia

Sou o gato, o gatuno, o gatilho
Sou o calar da noite num sussurro vazio
Sou o macabro desejo de profanar
Esse mundo de Deus, a Deus dará

Sou impala, poesia marginal
Sou  nonsense, o artista circense
Sou o cansaço da longa viagem
Sou extensão ínfima da natureza

No empilhado das coisas vida
Amor, que é isto? Pedra fundamental?
No resultante do que sou
Sou tudo menos tudo, sou zero.

8.13.2013

Eu não sou um beatle.

Eu não sou um beatle
Eu não sou um beatle
Escute só o que eu repito
Eu não sou um beatle

Eu reparei só hoje cedo
Quando sem querer eu me olhei no espelho
E descobri
Que eu...não sou...um beatle

Quão grande foi a minha decepção
Quase caiu do peito o meu pobre coração

I'm not a beatle
My arms are not of a beatle's arms
My legs are not of a beatle's legs
My heart are not of a beatle's heart
No girl wanna hold my hand
And I can't sing yeah, yeah, yeah

Eu não sou um beatle
Não sou fenômeno midiático
Pudera, sou um lunático
Sou qualquer coisa, mas eu...
Eu só não sou um beatle

Eu não sou um beatle
Não sou Lennon, nem Macca
Não sou Starr, nem sou estrela
Não sou Harrison e nem sou Clooney
Se hoje mesmo eu morresse
Eu morreria sabendo
E pereceria dizendo
Que eu não sou um beatle.

Prólogo.

Fernando disse a uma pessoa
Algumas horas antes da última das mortes
Daqui 59 anos nascerá a minha prole
Um gajo brasileiro, de nome bíblico
Quem viver testemunhará tal fato.

Não sabeis?
Quem usa bigode é homem
Mulher usa coroa.

Infortúnios cotidianos.

Palpito em silêncio sobre o que se passa
Na cabeça desses seres andantes a minha volta
                                                           [Pensantes?
Sou sim um paranoico cheio de dúvidas
E sentimentos tão supérfluos no peito
A quererem saltar para o inferno da realidade

Escuto discussões acidentalmente, desnecessárias
Obsoletos são os diálogos em meio a multidão
A redundância desgasta o meu cérebro
Não consigo fazer mais nenhuma prece
Irá a nós o firmamento engolir finalmente?

Instiga-me tanto essa igualdade em todos
De agirem, mentirem e caminharem calados
Por uma linha, para um objetivo tão pequeno
Para a morte, atraídos pelo movimento retilíneo
De suas vidas uniformemente conformadas

Escuto uma canção que soa como um escárnio
Decadente melancolia, é tão frustrante!
Crianças choram ao cair da noite
Desilusões metropolitanas tão surrealistas
Sonhos dilacerados, destinos amaldiçoados

Dorme a cidade, dorme também a vaidade
O barulho se vai e posso descansar meus devaneios
Apesar do desejo de ficar sempre acordado
Pelas ruas, a clandestinidade mantém a noite viva
E amanhã tudo será enfadonhamente igual.